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Desabafos

Eu queria ter uma pele linda. Sem espinhas, sem manchas, sem linhas de expressão, sem rugas. Eu queria ter um cabelo bom, que ficasse bonito em qualquer corte, e que eu soubesse cuidar. Eu queria ser casada. Ter minha casa. Ser mãe. Eu queria morar em outro país, trabalhar com coisas legais e que só me dessem prazer. Eu queria viajar o mundo. Eu queria não ter medo de avião. Eu queria ter vivido os anos 80 e passado os domingos na casa da vó. Eu queria ter comido o nhoque da minha vó. Eu queria ser talentosa, ser cercada de amigos, ser sociável. Eu queria ser pró ativa e criativa. Eu queria ser produtiva. Eu queria escrever bem, me vestir bem, fazer comida quase todo dia, e ir a academia. Eu queria frequentar os cinemas, teatros e exposições. Eu queria conhecer New York. Eu queria viajar para a Islândia. Eu queria ver uma aurora boreal. Eu queria pular de pára-quedas. Eu queria não ter medo de altura. Eu queria parar de deixar tudo para depois. Eu queria ser ouvida. Eu queria paz. Eu queria amor. Eu queria o impossível. Eu queria o esquecimento. Eu queria o improvável. Eu queria autoestima elevada. Eu queria confiança.

São tantos quereres, tantos querias, que o passado, presente e futuro se confundem numa linha de pensamento e força. Eu queria que o Universo me ouvisse, e entendesse que tudo isso ainda pode acontecer.

Não que eu seja, realmente, chefe de alguém, mas eu lido com funcionários e peço a eles que façam algumas coisas. Percebi que eu sou uma pessoa chata. Muito chata. Acho que os funcionários devem falar mal de mim, depois no Happy Hour no Bar da Linguiça.

Acho que o que me faz ser chata, é a decepção que já tive com tantas pessoas que julgavam ser/terem um bom caráter, e a partir de então, eu não acredito em mais nada do que me falam.

“Eu visto a camisa por essa empresa”. Mas isso é o mínimo do que se é esperado quando contratamos alguém, não é? Se você quis vir trabalhar na minha empresa é porque, no mínimo, você gosta e se simpatiza com ela. A fábrica tem um ambiente familiar, muito familiar, eu diria. Mas a gente também tem muitos conflitos que são difíceis serem resolvidos numa reunião (familiar). Gerações acabam se cruzando nesse embate, e o que antes era viável, hoje, torna-se totalmente sem noção e despreparado diante do mercado que se estende na frente da gente.

Eu aprendo diariamente como uma empresa funciona, e entendo também que nenhuma delas funciona direito, como devem funcionar. Esse ano, faremos 10 anos, e queria saber em qual patamar do gráfico estamos. Mas de uma coisa eu tenho certeza, depois de tantos tapas, puxões de orelha, trancos e barrancos, eu me orgulho de trabalhar onde trabalho, mesmo sendo um negócio que dure somente a minha geração.

Todo esse bafafá e mimimi do Instagram/Facebook me fez frear um pouco no dedo nervoso na hora de compartilhar as coisas. Eu já havia me cansado das redes sociais tem um tempinho. Há umas semanas protegi a minha conta no Instagram e Twitter, e tenho moderado em quem pode visualizar minhas coisas no Facebook. É lógico que o Instagram/Facebook não vão vender minhas fotos da Enriqueta ou dos meus pratos de comida, e é claro que a internet está cheia de portais e etc que podem fazer o mesmo que o Instagram quer fazer, o grande problema é como um texto “””mal redigido””” e “””mal interpretado””” por tantas pessoas pôde causa um desconforto tão grande, e foi assim que aconteceu comigo. Eu adorava o Instagram e confesso para vocês que só comprei um iPhone por causa dele, mas assim como todas as outras redes eu acabei bodiando (apesar do overshare) e ontem, com tudo isso, foi o que faltava para tentar viver um mundo mais offline.

Ainda vou continuar usando o celular para tirar fotos, os outros aplicativos para colocar os filtros e, quem sabe, começar a postar no Blog, com mais calma e com algum tema em específico, sei lá. Começar a imprimir mais minhas fotos e fazer algum projeto. As coisas não têm sido fáceis quando o assunto é fotografia por aqui. Uma pausa também não deve fazer mal a ninguém.

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Sabe quando você fica com aquela coisa na cabeça “mas por quê? Por que? Por queeee ele não quis ficar comigo?”, e aí você se sente a mulher mais feia, burra, sem graça e desinteressante do mundo? Mas depois vem o tal choque da realidade e você entende o porquê?

Bom gosto define, apenas.

São 15h da segunda-feira e eu acabei de confirmar presença em um evento no Facebook que acontecerá sábado. Evento esse que até lá, arranjarei uma desculpa para não ir. A Panamericana está acabando, mas a crise ainda continua. Meus projetos estão quase prontos, mas bate aquela sensação de “não aprovada”, principalmente, pelo professor. Não sei explicar bem o motivo, mas eu ando tão cansada de fotografia. Acho que estou longe de ser uma fotógrafa, ou talvez, aquela fotógrafa que eu queira ser. Esse ano foi pesado. Mentalmente falando. Estou com um cansaço mental e emocional muito grande. Talvez eu seja mesmo um prato cheio para um terapeuta, mas acredito que se eu começar a frequentar um, eu já saiba tudo o que ele tenha para me falar. Mas as coisas, para me ajudar, têm que partir de mim. Somente. Os finais de semana se resumem a ficar em casa. Precisava sair para terminar os projetos, mas não consigo. Ainda dá tempo, mas sonho com o tempo perdido.

A nossa cabeça é a nossa maior inimiga. Você está bem, fazendo suas coisas, controlando as despesas, ajeitando os dias e os projetos. Aí ok, cabô tudo o que tinha que fazer e você se pega pensando em alguma coisa. Não, não é sobre o almoço, não é sobre a próxima viagem, não é sobre algo que te faça bem. Você começa a pensar em coisas erradas, em pessoas erradas, em situações erradas. Erradas porque muitas vezes essas coisas, pessoas e situações não fazem mais parte da sua vida, não fazem mais sentido, ou é seu passado, ou é a sua ferida. A gente tem a mania de ficar cutucando, tirando o machucadinho do coração para que fique exposto novamente, e aí que entram as “vibes erradas”. Agora mesmo, estou sem fazer muita coisa, e comecei a pensar em coisas que não devia. Cogitei até em dar uma stalkeadinha, mas parei e pensei: para quê? Para saber que ninguém mais sente minha falta e a vida corre assim como a minha está correndo?! Não é necessário, não é preciso, não é sensato e nem saudável.

Fico orgulhosinha de mim quando me pego sendo racional desse jeito, nunca pensei que um dia seria, mas a gente aprende tanta coisa nessas idas de “vibe errada”, que uma hora a gente aprende que temos que ter o controle sobre nós mesmas.

Não gosto de ser tratada com indiferença. Que depois de tanto tempo e algumas coisas, o que aconteceu não faz mais sentido, ou nunca tiveram um significado, e a gente vive como se nada tivesse acontecido. Mentira. Algo aconteceu, algo no meio do caminho aconteceu e não sei se foi bom. Foi bom por um tempo, aquele tempo, hoje não é mais. Não é, porque há a indiferença, há aquela atitude de como se nada tivesse acontecido, e eu não gosto disso. Não vivo num mundo onde “nada aconteceu”, nada significou, não mais. Esse é o meu jeitinho de lidar com a situação, com o meu coração, com a baguncinha que ficou aqui dentro, e não há ninguém para arrumar a não ser eu. Não consegui pôr a casa em ordem, arejar o ambiente, o máximo que eu consegui foi jogar a tristeza para debaixo do tapete, mas às vezes o vento insiste em levantar, e espalhar essa tristeza por aí. Já estou acostumada com os desastres da vida, das enrolações e das pessoas, nada é tão diferente do usual que eu sei que logo menos isso passa, demora, mas passa. Só não passa a minha indiferença por aí.