#3 Uma vida sem registros

Acho muito engraçado esse sentimento conflitante de em plena Era Digital, eu achar que a vida esteja passando assim, sem registrar as coisas que mais parecem importantes. Sei que temos as redes sociais e estamos conectados 24h por dia. O que eu quero dizer é o que, realmente, você leva daquilo que você fotografa, filma ou escreve?

Já tinha falado aqui sobre o Snapchat e como esse sentimento de efemeridade tem me afetado. Dei outra chance ao aplicativo, mas não consegui mais acompanhar as pessoas. Às vezes, tinha alguma conversa pelo chat, e eu me perdia sem saber o que eu tinha falado ou o que a pessoa tinha perguntado. Não gosto.

Quando criança, meus tios tinham o costume de filmar as reuniões de família. Tenho um tio que tem slides, e um outro que tem vários registros gravados agora em DVD. Não sei onde foram parar as minhas fitas VHS e, na última vez que as vi, pensei: “tenho que ver se elas estão boas e tentar restaurá-las em outra mídia”. Algumas semanas se passaram até eu perceber o sumiço (muita coisa andou sumindo ultimamente, rs). Meu pai tinha jogado todas – T O D A S – as fitas VHS fora. Quando eu soube, a vontade era de chorar. Tinham registros do meu batizado, das reuniões de família, das festinhas da escola. Tudo foi pro lixo sem tentar salvá-las. Meu coração ficou bem quebradinho, porque eu amava aquelas fitas.

Mas tudo bem, segue em frente. Como diz aquele ditado “vamos fazer o quê?”. Daí, que tempos atrás, pensando nisso e em como a gente não tem mais costume de registrar nada, peguei minha câmera e comecei a fazer pequenos takes da festa Junina da família. Inspirada no estilo vlogger de ser, tentei fazer um pequeno relato desse encontro e eu gostei muito do resultado. Eu sempre gostei de imagens e edição de vídeo, mas ultimamente, eu estava com uma preguiça demais de qualquer coisa, rs.

Depois que eu vi esse post da Nicas, e um dos tópicos é “criar e guardar bem minhas lembranças”, pensei em fazer o mesmo. Não quero só viver de Instagram, Flickr e Facebook. Quero ter algo mais palpável e rabiscável, se dá para me entender. Ainda preciso me acostumar mais a imprimir fotos e editar os vídeos mas, por enquanto, é assim que vai ser! :)

 

banner-BEDA

Anúncios
10 comentários
  1. Vy disse:

    Te entendo! A diferença é que quando eu era menor, a gente não tinha muita grana nem pra foto, então não tem muita coisa, mas do que tem, não quero perder nunca! Também acho que nessa era digital as lembranças se perdem em hd’s e cartões de memória, só piorou com a camera do celular, mas tô tentando retomar a coisa física imprimindo as fotos, buscando promoções de grupons da vida ;) Já adiantei o álbum dessa última viagem, mas ainda tem outras 3 grandes e mais umas 2 pequenas. Haja grupon, hahaha!

    • Natália disse:

      Até que tenho algumas fotos de quando eu era criança, tenho mais que meus irmãos, rs. Mas quando soube que perdi as minhas fitas, que tristeza!

      Se você souber de alguma coisa do groupon, me avisa!!!! Haha

  2. Mareska disse:

    Não sou muito ligada em registrar coisas em fotos ou videos. Eu gosto de instagram e tirar fotos de coisas que acho legais, mas é mais no esquema “achei legal, vou tirar foto” do que no “vou tirar foto pra lembrar depois”.

    • Natália disse:

      Antigamente, usava o Instagram para esses registros de “lembrar depois”, o que eu adoro. Mas hoje, perdeu um pouco o propósito e eu acabo postando fotos que são mais “conceituais”, haha. Daí, aquele encontro com os amigos, a festa, etc, eu quase não faço mais registros, o que está me frustrando muito!

  3. Adônis disse:

    Eu vou concordar com a Vy para dizer que também te entendo perfeitamente! Me irrita muito o snapchat (e agora o snapinsta, ugh), porque eu gosto que as coisas durem, que elas estejam lá quando eu precisar, e que eu não precise ver >na hora em que o aplicativo quiser<. Ainda assim, eu persisto no app, mas confesso que só olho regularmente de umas 5, 6 pessoas (os amigos próximos) e os famosos eu deixo pra lá. O chat de lá é outra coisa tenebrosa.
    Quanto ao que fez seu pai, eu teria o mesmo sentimento no seu lugar! Na verdade, eu acho que muitos dos meus registros de infância já se perderam, mas sei que meu pai ainda guarda uns VHS (e minha vó umas fitas k7) de festas juninas, passeios etc. (só de lembrar daqueles tempos de infância, já dei um leve suspiro) Eu mesmo sou o louco acumulador, que guarda tudo (SÉRIO), porque acha que um dia vai precisar. Arquivos de computador eu devo ter de desde o começo da década passada, inclusive todos os meus chats de MSN. Agora que o espaço pra gente armazenar essas coisas é virtualmente infinito, fica cada vez mais fácil manter esse tipo de coisa. E eu tenho um mini-heartattack só de pensar em perder isso tudo.
    Mas se perder também (como já aconteceu algumas vezes), é isso mesmo que você falou: seguir o ditado.
    De qualquer forma, acho muito digno que você seja a registradora da família! haha Você vai agradecer a si mesma por isso daqui alguns anos.
    Minha mãe agora tá com o costume também de pegar esses cupons de compra coletiva e imprimir as fotos. Está aí algo que eu não faço questão, mas que é bom ver os momentos em papel — palpáveis –, isso é mesmo!

    • Natália disse:

      Como assim, fitas K-7, Adônis? Haha Sua avó gravava as coisas com um gravador? Que diferente! Nunca tinha pensado nisso!

      Eu já não tenho mais esse espírito de acumular algumas coisas, principalmente, aquelas que não fazem mais sentido. Conversas de MSN, chats de Facebook, e até chats de Whatsapp. Mas isso não significa que eu goste do chat do Snapchat, hahaha. Eu só não tenho mais o costume de deixar guardado as coisas. Até com e-mails, acredita? Não sei se isso é superação, ou coração frio, haha, mas de uma coisa é verdade: as coisas não são mais como eram antigamente (que eu tb tinha a mania de guardar tudo). Ah, a vida.

      Mas fico feliz também de poder registrar esses momentos agora. Sempre gostei muito de filmagens e edições. Confesso que tenho uma certa preguiça às vezes, mas tenho que vencê-la!!! :D

      E fico feliz de ver você comentando aqui também!

      • Adônis disse:

        Pois é, agora você vai ter que me aturar aqui também! hahaha

        Justamente isso, acredita?: minha vó carregava o gravador pra lá e pra cá e registrava TUDO! HAHA Eu meio que peguei a mania, mas o que eu fazia era meu próprio programa de rádio: como na nossa época não tinha nada disso de youtube ou de baixar álbuns, eu gravava as canções de várias fitas e as entremeava com a minha própria narração! Até que não ficava ruim rs

        E lembra que uma das primeiras coisas que eu te disse ever foi como eu achava que você estava corretíssima em se desapegar de certas coisas/pessoas? Então, é porque eu sei que quanto mais a gente conseguir desentulhar nossa vida, melhor; tirar da frente coisas como registros de discussões e conversas com gente que você não vê há 10+ anos, sabe…

        Mas o importante é você vencer essa preguiça, até porque queremos mais vídeos no canal!! :P (continue aguardando um e-mail sobre os vlogs!)

  4. Nicas disse:

    MIGA! Olha eu ali! Fico TÃO feliz de mexer com você de alguma forma.

    Um dia a gente senta no PPD e eu te explico os motivos, mas acontece que não tenho nada de 2009 pra trás (as vezes uma foto ou outra que ficou na casa de um parente ou no meio de um livro), e isso dóis DEMAIS. Tenho tentado cuidar mais disso, mas fico com essa frescura de fazer uma foto ~legal~ e aí acabo frustrada e não faço o registro, aquele bobo que todo mundo fazia em volta da mesa do bolo, na ida ao zoológico. Sinto falta.

    Vamos fazer algo juntas? Vamos se ajudar? (ultimamente só tenho conseguido avançar em grupinhos)
    Achei dois serviços legais de impressão de foto e livro, a qualidade parece muito boa e o preço é bem em conta, depois te passo.

    (o video eu vou ter que ver depois por causo que não estou em casa)

    Essa foto na janela, ela é tão linda.
    Um beijo, Nambs, o texto estava uma delícia de ler.

    • Natália disse:

      Miga, você mexe comigo de formas inimagináveis!!!! HAHAHAHA

      Ai, você não tem registros de quando era criança mais? Eu ainda tenho algumas fotos, mas imagino a sua dor com isso! Sim, aceito convite de PPD (ou outro lugar que queira ir), gosto tanto de ouvir suas histórias, e você tem muitas para contar. Nicas, você não sabe o quanto me inspira!!

      Vamos fazer algo sim. No aguardo dos sites!!!! Haha

  5. Gabriela disse:

    Pois falou tudo! Minha mãe tem uma caixa enorme cheia de fotografias da infância dela, dos meus primos e minha e da minha irmã, mas acabou criando um vácuo na adolescência minha e da minha irmã, chegou a câmera digital e parece que perdeu aquele significado de ter as fotografias nas mãos, o que é bem errado, porque se formos parar pra pensar, a maioria daqueles imagens já se perderão, são períodos inteiros de nossas vidas que não tem registro algum, só aquilo que as vezes está esquecido na nossa cabeça. Na faculdade de fotografia, meus professores bateram muito na tecla do registro da imagem, que é importante ter essas fotos em mãos, não só para se ter o registro daquele momento, mas ter o registro de uma época toda, que graças as fotografias podemos ver como as pessoas viviam no século passado, temos a história contada em fotografias.
    E sobre vídeos, meu pai adorava fazer filmagens aleatórias, minha mãe felizmente guardou todas as fitas e passou tudo para DVD, tem vídeo do meu pai brincando comigo e a minha irmã, coisa que não lembramos direito, porque tínhamos entre três e cinco anos, é uma coisa que se fosse hoje, provavelmente não teria registro algum.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: