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Arquivo mensal: novembro 2014

“‘Relacionamento’ é o assunto mais quente do momento, e aparentemente, o único jogo que vale a pena, apesar de seus óbvios riscos. Alguns sociólogos, acostumados a compor teorias a partir de questionários, estatísticas e crenças baseadas no senso comum, apressam-se em concluir que seus contemporâneos estão totalmente abertos a amizades, laços, convívio, comunidade. De fato, contudo (como se seguíssemos a regra de Martin Heidegger de que as coisas só se revelam à consciência por meio da frustração que provocam – fracassando, desaparecendo, comportando-se de forma inadequada ou negando sua natureza de alguma outra forma), hoje em dia as atenções humanas tendem a se concentrar nas satisfações que esperamos obter das relações precisamente, porque, de alguma forma, estas não têm sido consideradas plena e verdadeiramente satisfatórias. E, se satisfazem, o preço disso tem sido com frequência considerado excessivo e inaceitável.”

O Amor Líquido – Zygmunt Bauman

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A conversa começou por causa da minha bio, e aí já percebi que alguém prestava atenção aos detalhes. Isso é bom, é interessante, é um ponto que não podemos desperdiçar. Conversa vai, conversa vem, marcamos um encontro, o nosso primeiro encontro tinderiano. Não aconteceu.

Por alguma força maior, o cara mais legal que eu já conversei nesses últimos dois anos (sim, pois é!), me deu um block catastrófico sem mais nem menos. Tudo em questão de 3 dias, virou purpurina. Eu fiquei aqui, sem entender e culpando o Universo por tudo, porque é mais fácil culpar os cosmos do que a mim mesma pela minha incompetência.

Eu apenas ainda não acredito que eu não tenho essa sorte (muito menos no jogo e, principalmente, no amor). Meu horóscopo havia me avisado, mas como há tempos eu não leio, eu não pude me preparar pro que poderia acontecer. Na verdade, eu nunca esperaria que alguma conversa duraria horas, quiçá dias no meu whatsapp, foi na-tu-ral-men-te.

É lógico que os meus olhos brilharam, e eu criei expectativas, mas a vida taí para me dar um belo tapa na cara. “Não, minha querida, isso você nunca vai ter”, foi o que eu ouvi lá no fundo. O meu horóscopo diz que é para eu tirar uma grande lição disso tudo, e a única conclusão que eu chego é que eu, realmente, não estou preparada para gostar/amar alguém. Ainda tenho muito medo e insegurança, e qualquer afinidade ou uma faísca de atenção já faz com que eu imagine casando e tendo filhos. Eu sei que isso não é nem um pouco saudável, mas eu tenho que aceitar que eu sempre serei uma eterna romântica. Um pouco freak, porém romântica. Provavelmente é algo que eu tenha que trabalhar muito ainda, minha auto confiança, minha liberdade, meu poder de ir e vir, etc. Não posso deixar os outros simplesmente entrarem e fazer uma bagunça aqui dentro só por fazer. Natália não é bagunça, já dizia a minha amiga travesti.