“O inferno são os outros”

Voltando pra casa fiquei pensando: “acho que não vou conseguir chegar na idade dos meus pais” que já têm mais de 55 anos. E não é porque sou dramática demais, mas é porque tudo tá tão pesado demais. Com 23 anos já me sinto tão cansada, tão tensa e querendo que, realmente 2012 seja verdade, que não sei se aguento o tranco do mundo. Foi triste a notícia do acontecido na escola no Rio de Janeiro, uma instituição que, por via de regra, seria segura. Mas, se não estamos seguros nem no nosso portão de casa, quem dirá numa escola pública. Eu fiquei triste demais pelas famílias daquelas crianças, triste pelos amigos que ficaram traumatizados, triste pelos professores, mas triste também pelo assassino, que devia sofrer um distúrbio muito perturbador. Não sou defensora dos Direitos Humanos, porque sabemos que os humanos são a pior estirpe que existe, mas esse rapaz, creio que sofria diariamente, e não só com a sociedade, mas com ele próprio. Lógico que isso não justifica a atrocidade cometida, mas não consigo deixar de pensar em como ele devia ser alguém psicológicamente afetado. Sartre dizia “o inferno são os outros”, mas olha, no fim somos e fazemos o nosso próprio inferno.

Não consigo pensar também naquele policial que atirou no rapaz com heroi. Ele foi policial, fez o trabalho, fez o que tinha que fazer e fez bem feito. Como diria minha mãe “não fez mais que a obrigação”. Se é um heroi taxado pela sociedade, que seja, é assim que irão vê-lo. Eu o vejo como um policial bem treinado e que sabia o que tinha que fazer, porque há muitos policiais por aí que não sabem, têm medo, ou até evitam atos assim.

São Paulo já teve a sua “Columbine” quando, em 1999, um cara entrou em um cinema atirando contra a plateia. Contra-a-plateia. Na época eu tinha 11 anos, e estava começando a frequentar o cinema, mas nunca me esqueci desse fato e nunca deixei de imaginar o que as pessoas que estavam ali, estavam sentindo, sem ter para onde ir, correr ou como se proteger. Agora fico aqui, imaginando aquelas crianças também indefesas, sem saber o que fazer, para onde ir, para onde correr, para quem pedir ajuda e, por que não, muito mais confusas do que assustadas.

Podemos estar no ano que for, no século que for, as pessoas sofrerão com elas mesmas,  sofrerão com pressões sociais, sofrerão com muitas outras coisas que surgirão e encontrarão formas de prejudicar seja lá quem estiver no caminho delas, seja lá quem elas acham que devem machucar. Tem como nos protegermos disso? Não vejo como.

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1 comentário
  1. Rachel disse:

    Concordo em tudo: primeiro sobre o medo de não aguentar a pressão do mundo, e é exatamente sobre isso que falo no meu post. Tem horas que é inevitável a neurose de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento. Segundo, pra mim também, o inferno são os outros e nós mesmos. Terceiro, tava pensando exatamente isso quando todos os veículos se referiam ao policial como herói: “ué, o cara fez o que qualquer policial deveria fazer e inclusive estar treinado para fazer”. Quarto, tive pena desse cara também, e é inevitável pensar quantos mais como ele não estão por aí, sofrendo calados, sociopatas em potencial. E pra fechar: não vejo saída, acho muito improvável a proteção total contra esse tipo de coisa. =/

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