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Arquivo mensal: outubro 2010

Quero escrever. Quero dizer tanta coisa, mas tanta coisa, só que eu sei que não vale a pena. Quero escrever, mas também não é a mesma coisa. Tô aqui, com esse cérebro trabalhando a mil, não me deixando esquecer o que tanto quero. Tem algum botão de on/off? Tem como fazer isso? Queria tanto. Preciso tanto, aliás.

Tô aqui, nessa vidinha, com esses meus amigos que tanto me fazem bem, tanto me fazem rir, tanto me querem bem. Tô aqui, aprendendo a lidar com a vida, as promessas falsas, as caras de pau, os babacas e os bacanas. Tô aqui, relembrando de ontem, e que um negão de 1,90m de tirar o chapéu me carregou no colo!

Tô aqui, com esse sorriso bobo no rosto, esse coração apertado no peito, e essa cabeça que não pára de pensar. Tô bem, tô tranquila, tô feliz! Tô aqui e tô vivendo.

Viu, todo mundo tem um passado. Um passado que pode te assombrar, confortar, te deixar numa bad trip, numa nice, de boa na lagoa, suave na nave, etc. Todo mundo tem um passado e não adianta negar.

22 anos e eu tenho um passado. Você vai dizer “ah, mas 22 anos não são nada”. Concordo, pode não ser, mas para mim, foram suficientes para dizer “i have a past, and i don’t like it”. Mentira, eu gosto.

Quando eu ti nha uns 17, adorava viver no passado. Os primeiros dias de colégio, o primeiro paquerinha, relembrar o primeiro beijo e essas coisas todas. Mas, uma hora da minha vida eu me perguntei: de que adianta “viver” dele? Passado não traz essas coisas de volta, meu amigo, e custou para eu entender isso.

Hoje, vivo feliz com esse passado. Com o que aprendi, com as coisas que conquistei, com o caráter que eu moldei, com as lágrimas, os sorrisos, os brinquedos, as tardes, as noites…Poxa, lembro que eu e a Flávia comentávamos durante a aula: “tenho medo de ficar velhinha e olhar para trás e perceber que não fiz muita coisa”. Ah, vá, acho que tanto eu, quanto ela, agora podemos dizer que temos história para contar.

E a vida, a gente conta em temporadas. :)

 

 

E a pérola da noite. Dançando na pista, chega um garoto:

– Oi, tudo bem?

– Oi! Tudo bem!

– Você não quer conversar comigo?

– Ah, pode ser! :)

– Ah, você não quer conversar?

(…garoto sai andando e eu fiquei ali, com cara de Q?)

Hoje na hora do almoço, ao ver a minha cara, minha mãe:

– Nossa, Natália, que cara! Pelo amor de Deus! Você tem 22 anos, tem seu próprio carro, seu próprio dinheirinho, tá desimpedida, toda uma juventude pela frente! Francamente, você, seu pai e seu irmão são iguaizinhos!

Cara, ser comparada ao meu irmão de nada adiantou a sensação de pé na jaca que eu estou sentindo, muito pelo contrário.